Regresso à Simplicidade
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
77x77 - Quita Miguel
A pergunta que, mais frequentemente, me fazem após lerem uma das minhas histórias é:
«Como é que te lembraste de uma coisa destas?»
Por vezes, consigo explicar que tudo partiu de uma cena presenciada ou vivida, porém devo confessar que, a maior parte das vezes, fico sem resposta. Quando coloco a palavra fim, não sei mais como tudo começou. É que uma palavra levou a outra ou uma ideia surgiu num sonho talvez segredada por um anjo.
Quita Miguel
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Esmorecida
Encostada à ombreira da porta, olhava o fogo-de-artifício, que assinalava o nascer de um novo ano, e perguntava-se até quando iria sobreviver ao desalento.
O cansaço de lutar por um sonho que não encontrava espaço para se materializar, deixava-a com aquele olhar triste que a acompanhava a cada dia.
Há um ano, ainda saíra para festejar, acreditando que chegara finalmente a hora de ser feliz. Agora, sabia o quanto estava errada. Só, percebia como o sofrimento esmorece.
Quita Miguel
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
A Aliança da Discórdia
«Foi até à janela que dava para as traseiras do hotel. Que vista deprimente, que silêncio medonho. Como sentia falta de casa. Bebeu mais um pouco, à medida que revia pela terceira vez a apresentação que deveria fazer na manhã seguinte. Analisou o tom de voz, assegurando-se de que transmitia seriedade, confiança e dinamismo: uma combinação vencedora.»
«Foi até à janela que dava para as traseiras do hotel. Que vista deprimente, que silêncio medonho. Como sentia falta de casa. Bebeu mais um pouco, à medida que revia pela terceira vez a apresentação que deveria fazer na manhã seguinte. Analisou o tom de voz, assegurando-se de que transmitia seriedade, confiança e dinamismo: uma combinação vencedora.»
Começa assim o conto «A Aliança da Discórdia». Grátis aqui:
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Quita Miguel
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Lambe-botas
O amor torna-nos burros, faz-nos dizer sim quando queremos gritar não.
Foi a vontade de lhe agradar que me fez aceitar cozinhar para o seu novo chefe, aquele mega ego que Nazário pretende bajular.
Como posso eu amar um lambe-botas? O ser humano é de facto estranho, porém o universo encarrega-se de corrigir os nossos desvios. Esqueci-me de comprar sal… Aposto que esta será a última vez que cozinho para o babão. Acho que me vou divertir.
Quita Miguel
Desafio Escritiva nº 15 – falta um ingrediente e o jantar é dali a nada…
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Mau presságio
Sempre que a velha me sorria, mostrando os dentes amarelos, sabia que era desastre anunciado. Por isso, procurava evitar passar à sua porta, o que implicava fazer mais um quilómetro a pé, por vezes debaixo de chuva ou sob o sol escaldante. Era duro.
Hoje, a pressa era muita, havia que encurtar caminho. Ao ver o maldito sorriso, corri para casa, adivinhando o pior, mas ao contrário era o melhor que me aguardava: bilhete de euromilhões premiado.
Quita Miguel
Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33
sábado, 3 de dezembro de 2016
Inevitável
Paro e olho o imenso prado.
Um gato pardo mira-me, espreguiçando-se languidamente.
Outros gatos se aproximam a medo.
Uma nuvem negra envolve o céu.
Ao longe, range um trovão ameaçador.
Gotas grossas penetram-me o camisolão espesso.
Abaixo, brilha a luz do asilo.
Lugar onde a dor se isola.
Aliso o cabelo ensopado de chuva.
Queria apenas poder dopar a vida.
Negar o inevitável que sempre chega.
Seria uma tosga e tanto.
Quita Miguel
Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras
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