sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Em busca

Saudades da escola nunca tive, talvez porque não tenha aí encontrado respostas às questões que me acompanharam ao longo da vida.
Aprendi algo? Sem dúvida, porém a maior parte nunca me interessou. Encheram-me de conceitos que a memória ram limpou imediatamente após cada exame.
Por estranho que possa parecer, sempre fui boa aluna, é que ser-me-ia impossível ter de repetir aquilo que para mim era intragável.
Hoje, continuo em busca de respostas. Quem sabe, um dia, apareçam.

Quita Miguel

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Curiosidade paga-se

Lívia poderia ter mandado um dos dois primos espreitar dentro daquela casa, no entanto era demasiado curiosa para se limitar a ficar sentada, aguardando o relatório do que se passava no covil dos ladrões. 
A mãe avisara-a mais de três vezes de que não deveria forçar o tornozelo, ela ignorara-a, agora submetia-se à sentença final: sete dias de imobilização total. Assim se queimavam os últimos dias de férias: Lívia confinada ao quarto, os primos correndo pela praia.

Quita Miguel

Desafio RS nº 41 – números primos e… primos

histórias em 77 palavras: Programa Rádio Sim 826 – 24 Agosto 2016

histórias em 77 palavras: Programa Rádio Sim 826 – 24 Agosto 2016: OIÇA aqui o programa em podcast na  Rádio Sim (depois de entrar no link basta clicar em «OIÇA aqui»).

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Roseiral

O meu tio comia pipocas como se não houvesse amanhã. Escondia-se no refúgio, no meio das rosas, apesar dos espinhos, e saciava-se.
O problema foi que, naquele dia, uma pipoca se lhe atravessou no gorgomilo e a solução foi carregá-lo para o hospital. E se ele era pesado, quando se debatia. Foi tratado por um médico jovenzinho, que o fez sofrer.

Enraivecido e dolorido, chegou a casa, pegou no martelo e o roseiral tornou-se num ser desmembrado.

Quita Miguel
Desafio nº 110 – 8 palavras obrigatórias

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Amo-te

Fecho os olhos e sonho. Enrolo o papel e coloco-o na garrafa, assobiando a nossa canção, na esperança de que os sons se deixem aprisionar. Só então coloco a rolha. 
As gaivotas grasnam, envolvendo-me num voo circular. São sons arrepiantes que traduzem o meu desespero pela tua partida.
Tomo a garrafa nos braços, acaricio-a, beijo-a e atiro-a ao mar na esperança de que um dia a encontres e saibas que o amor é a única resposta: «Amo-te».

Quita Miguel

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

sábado, 13 de agosto de 2016

Hospedaria Carmim

«Gina parou na entrada do entroncamento e estendeu o mapa sobre o volante. Porque é que os faziam tão complicados? Procurando decifrá-lo, reconheceu que errara o caminho e não fazia a mais pequena ideia de onde se encontrava. Seguir por onde?»
Começa assim o conto «Hospedaria Carmim», disponível aqui:


Um péssimo sentido de orientação, uma teimosia que a leva a enfrentar o desconhecido sozinha e a constatação de que se encontra perdida no meio do nada. A gasolina ameaça deixá-la na mão, à medida que a noite se aproxima e o coração parece querer parar, quando, para alívio, a Hospedaria Carmim surge no seu caminho. Mas será uma hospedaria como as outras?

Desaparecida

Desceu a avenida em profundo desânimo, com a raiva a consumir-lhe as entranhas. Uma menina: haviam revelado com animação.
Para que queria ele uma maninha, que se manifestasse abrindo a goela? 
Se, no dia seguinte, tivesse oportunidade de fazer desaparecer a pequenita
Aquele gajo de uniforme estava a aniquilar-lhe os planos. Respirou fundo, precisava de ter um domínio infinito dos seus nervos.
«Será bonito ver o pânico a tomar conta deles», pensou, enfiando a criança no armário.

Quita Miguel

Desafio RS nº 40 – 14 palavras com a sílaba NI