quinta-feira, 4 de junho de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Desencontro
Com passos indecisos aproximou-se da janela, com dedos trémulos bateu no vidro. Foram muitos os anos e os caminhos que o afastaram de casa. Agora, voltava, receando fazê-lo tarde demais.
Com passos indecisos aproximou-se da janela, com dedos trémulos bateu no vidro. Foram muitos os anos e os caminhos que o afastaram de casa. Agora, voltava, receando fazê-lo tarde demais.
Voltou a bater ao de leve na janela. E se aquela já não fosse a casa dos pais? Preferia não saber.
De cabeça baixa, contornou a esquina, no momento em que uma face envelhecida surgia no parapeito, procurando em volta o rosto que há anos ambicionava rever.
Quita Miguel
Desafio RS nº 25 – dedos que batem no vidro (cena)
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Agrafo encravado
Uma tosse seca despertou o elefante. Mal-humorado procurou o desaforado que lhe interrompia o sono. Num canto, o agrafador contorcia-se. Um agrafo ficara encravado, dificultando-lhe a respiração.
O elefante, solícito, bateu-lhe nas costas, preparou um chá de lírio, ouvira dizer que era bom para a garganta. Nada. O agrafador estava quase roxo.
De repente, o silêncio. O elefante, zeloso, ainda tentou a respiração tromba à boca, tarde demais, o pobre já partira para o mundo do ferro-velho.
Quita Miguel
Desafio nº 89 – história com tosse+lírio+elefante+agrafador
Uma tosse seca despertou o elefante. Mal-humorado procurou o desaforado que lhe interrompia o sono. Num canto, o agrafador contorcia-se. Um agrafo ficara encravado, dificultando-lhe a respiração.
O elefante, solícito, bateu-lhe nas costas, preparou um chá de lírio, ouvira dizer que era bom para a garganta. Nada. O agrafador estava quase roxo.
De repente, o silêncio. O elefante, zeloso, ainda tentou a respiração tromba à boca, tarde demais, o pobre já partira para o mundo do ferro-velho.
Quita Miguel
Desafio nº 89 – história com tosse+lírio+elefante+agrafador
terça-feira, 21 de abril de 2015
Novo Chefe
Desafio nº 88 – todas as palavras com mais de 6 letras têm de ter RST
– Não há formas corretas de ganhar a vida para um homem que não se instruiu. Há formas práticas – disse Onofre e seguiu. – Porquê? Podes questionar-me tu e espero que o faças.
Nélida não o fez, saindo apressadamente do escritório para poder desfrutar em paz do sabor e aroma do café.
– Para que conste, tomei nota de que me viraste as costas. – Onofre perfilava-se diante de Nélida, numa postura de glória. Ele seria em breve o novo chefe.
Quita Miguel
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Rédeas saborosas
– O guarda-fios pode negar o que quiser, mas eu deixei as rédeas aqui e não esteve cá mais ninguém. Quem as poderia ter levado, senão ele? – reclamava Xisto, enquanto vasculhava o guarda-arnês.
– Verba para arreios não há, está esgotada. Desenvencilhe-se – afirmou o guarda-livros, olhando-o de soslaio.
Escondido atrás do guarda-vento, o rafeiro alentejano afiava os dentes nas correias, cobiçando já o delicioso guarda-chuva.
Quita Miguel
Desafio RS nº 24 – 6 palavras com GUARDA-
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Dia e noite
Amo o dia e amo a noite, enquanto tu te perdes nessa tristeza que é já uma
couraça. Olhas-me sem me compreenderes, e eu baixo o olhar incapaz de explicar
que gosto da luz que me ilumina o caminho, mas também da escuridão que me faz
repensar as escolhas feitas.
Acusas-me de viver numa mentira, mas ela é melhor do que a tua verdade, por
isso, salto da cama, bem cedo, para apreciar o amanhecer de uma cidade
fantasma, aquela onde ainda ninguém acordou e posso ouvir o dia despertar.
Queres saber o porquê do meu sorriso quando, à tarde, espreito pela janela,
e respondo-te que é bom ver o entardecer da natureza, as aves que chilreando
regressam às árvores, as flores que se curvam, o sol que adormece. Avanças um
passo e pousas as mãos nos meus ombros, num gesto de posse, e então
apercebes-te de que não te pertenço. Observamo-nos sem uma palavra, dando-nos
conta de que eu não suporto a tua tristeza e tu não suportas a minha alegria.
Sorris, um sorriso triste, e caminhas em direção à porta. Paras antes de sair,
mas não te viras. Avanças até à entrada do jardim, mas não consegues dar o
passo para te religares ao mundo. São demasiados os meses, encerrado sobre ti
mesmo.
Esperas que a noite caia, te esconda o olhar infeliz, para regressares a
casa e de novo mergulhares nesse modo de viver, que te desgasta, me desgasta,
nos desgasta.
Na manhã seguinte, sem esperar que acordes, vou ver a cidade despertar,
ansiando pelo dia em que compreendas o quanto é bom viver, seja de noite, seja de
dia.
Quita Miguel
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